O paradigma dos preços em estacionamentos


Quebrar paradigmas é sempre um desafio, independentemente do que seja. De um lado está o convencional, o pensamento linear, no qual o mercado já está acostumado e, do outro, o espírito criativo, a inovação, a mudança de comportamento, o famoso "pensar fora da caixa".

Os “estacionamentos”, nos grandes centros, passam (ou deveriam passar) por um momento de reavaliação na sua sistemática de precificação das tabelas?


Há alguns anos acompanhamos uma grande mudança comportamental nos meios de locomoção dos clientes, principalmente nas grandes cidades, que impactou diretamente o volume de veículos nos estacionamentos.

O primeiro grande impacto foi causado pela entrada dos transportes por aplicativos (Uber, Cabify, 99, etc...). Na sequência vieram os outros modais compartilhados, como bicicletas, patinetes, e começando o car sharing.

A consequência foi direta, com quedas abrutas e recorrentes no fluxo de veículos dos estacionamentos em geral, iniciando um clima de instabilidade no mercado, e ações imediatas com redução de custos diretos e indiretos (em muitas vezes até impactando na qualidade do serviço prestado, que é um risco).

Depois vieram as inovações tecnológicas: estações automáticas substituindo os caixas “humanizados” complementando os planos de redução de custos diretos, pagamentos mobile, entre outras.

Paralelamente surgiram as diversas plataformas e aplicativos de compartilhamento e divulgação das vagas ociosas. Mesmo com algumas soluções ótimas, ainda não vimos resultados expressivos que possam defini-las como uma alternativa para recuperação eficaz do fluxo de veículos nos estacionamentos.

O mais recente movimento, e na minha opinião, um caminho sem volta, é buscar a rentabilidade para os estacionamentos com as locações de suas áreas para outros serviços, espaços de mídia e eventos.


Mas, gostaria, ainda, de fazer uma reflexão final: os preços cobrados por estadias nos estacionamentos podem desmotivar sua utilização?

Em uma pesquisa realizada pelo IPEE (Instituto de Pesquisas e Estudos Estacionamentoria) em 2018, registramos que a maioria dos respondentes não consideraram o preço do estacionamento como fator de decisão para sua visita ou não a determinado shopping.

Mas temos que nos atentar a um fator: o objetivo-fim do cliente que vai ao shopping não é o estacionamento, o que justificaria esta resposta da maioria dos pesquisados.

Podemos afirmar que, por exemplo na cidade de São Paulo, onde temos preços de estacionamentos em algumas regiões (tanto em shoppings como em pátios de edifícios comerciais ou de rua) partindo de R$ 15,00 a R$ 22,00 pela primeira hora de permanência, utilizar os veículos de aplicativos e/ou transporte público tem custo menor para o cliente.

Assim, ja vemos uma mudança de comportamento nos preços para os planos mensalistas, tornando os estacionamento mais atrativos. Em regiões, também da cidade de São Paulo, onde os planos de mensalistas chegaram a bases superiores a R$ 400,00/mês agora já chegaram a patamares de R$ 100,00/mês.

E este movimento deve, ao longo do tempo, chegar aos preços das estadias avulsas/rotativas dos estacionamentos, buscando reaquecer sua utilização.

Para isso, outro ponto precisa ser revisto, considerando que os custos fixos com mão de obra já foram estudados e aplicados: é preciso negociar melhor os preços de locação dos espaços utilizados como estacionamentos, outro grande ofensor nos custos gerais das operações.


Depois disso, vem a aposta: há espaço para redução das margens de lucro de forma a gerar melhores resultados para os estacionamentos com aumento de fluxo?


É óbvio que ninguém pode afirmar que a redução de preços trará incremento de fluxo de veículos no volume que compense a ação e mude o cenário dos resultados, mas certamente a soma de todas as ações que aqui relatamos é um caminho experimental necessário.



Wellington Martins

Especialista em Gestão de Estacionamentos


1 visualização